Sobre casamento, vida a dois, felicidade e outras coisas.

[Off-topic]

18518210_1319638618073411_4623977360179609400_o

Aviso: Esse texto não fala sobre adoção, crianças ou qualquer outro assunto relacionado aos nossos filhos.

Já faz certo tempo que tudo isso aconteceu, então alguns fatos não estão claros, mas você já vai entender a moral dessa história.

O ano era 2014, não lembro o mês, mas foi bem no seu início.

Eu havia feito uma postagem, dessas que você já deve ter visto, me referindo à minha amada Michelle como “namorada”.

Nós tínhamos em torno de 6 meses de namoro, quero dizer de casamento, e um conhecido me mandou uma mensagem. Essa mensagem pode ter vindo por Messenger, por whatsapp, ou por comentário na minha postagem, isso eu não me lembro.

Nessa mensagem o tal dizia que no caso da Michelle, como esposa que ela era, eu deveria trata-la assim, pois chama-la de namorada era rebaixá-la a uma coisa que ela deixara de ser. Porém no final disse que era “bonitinha a forma melosa” como eu a tratava.

Lembro-me que respondi aquilo com alguma indignação, não pelo fato de a nossa relação não permitir aquilo (pois mesmo sendo ele apenas um conhecido, de muito tempo, mas ainda assim apenas um conhecido) como eu fiz a postagem daquele conteúdo no facebook, eu o fiz publicamente, e dessa forma, eu estava aberto à isso, mas minha indignação era pelo fato de alguém, que não minha esposa, ter me feito esse tipo de questionamento.

Desde o primeiro dia de casado, e até hoje eu trato minha esposa como a tratava enquanto minha namorada. Não por modismos, ou por qualquer outro motivo, mas como forma de me lembrar que devo continuar tratando-a como a tratava no início do nosso namoro. Sim, sabe aquela fase em que você faz de tudo pra agradar? Está sempre disposto a deixar você mesmo de lado para que ela possa se sentir importante? Sabe quando “saber como ela passou o dia” é importante, pois você passou o dia todo querendo vê-la ou falar com ela? Sabe? Então, é isso.

Não, eu não sou perfeito, e minha esposa me ajuda a me lembrar disso. Às vezes o comodismo, o passar dos dias, a rotina da casa, do trabalho, da vida, nos faz deixar para trás algumas pequenas e/ou poucas, porém importantes, coisas. Mas tenho caminhado e me esforçado em ser melhor para ela, e consequentemente, para nós, e para mim!

Mas voltando àquela conversa que tive com ele na época…

Expliquei a ele tudo isso, o que me motivava a agir assim, e o que me motivava a tentar manter nossa relação assim, e ele muito brevemente (para não dizer que foi de forma curta e grossa) disse que era porque tínhamos apenas 6 meses de casados, e que aquilo tendia e diminuir, e que aquilo com o tempo iria acabar, e que as coisas iriam ser como são em qualquer casal.

Ainda tentei explicar a ele que isso podia ser diferente, se ele quisesse fazer assim, e a resposta foi a pior possível:

– Para quê? Não tenho garantia de que ela também vá fazer o mesmo.

Então, eu também não tenho garantias disso, mas faço a minha parte.
Eu não me casei para ser feliz. Me casei para fazer feliz.
Se a faço feliz, então sou feliz. Simples assim.

Nossa vida de casados é maravilhosa. Tem seus altos e baixos, como qualquer relação. Tem momentos mais felizes, e outros menos felizes, como qualquer relação. Nos faz rir, e nos faz chorar, como qualquer relação. Porém se nós não formos amigos um do outro, se não nos suportarmos (no sentido de dar suporte um ao outro), quem fará isso por nós?

Comentamos com um grupo de amigos dias atrás que, em quase 5 anos de casados, nunca tivemos uma briga. Sim, nós já discordamos, já discutimos (no sentido de conversar a respeito de algo que não concordássemos) assuntos até a exaustão. Já firmamos e afirmamos opiniões, e já mudamos de opinião. Porém nunca fomos dormir “de bico” um com o outro.

Eu costumo dizer que, entre ter razão e ser feliz, eu prefiro ser feliz. E a Michelle também tem um “ditadinho” com o mesmo tema… Entre ter razão e ser feliz, ela prefere os dois (risos). E eu acho que é por isso que a gente se dá tão bem.

Nós temos os nossos problemas como casal, nossas muitas dores como casal, e sobre isso você já deve ter lido aqui. E eu acredito grandemente que se não fizermos nossa relação valer à pena, mesmo com todos os problemas e dores, é melhor cada um ir para o seu canto.

E ele? Bem, ele se casou em 2015, se separou em 2017, me excluiu do facebook pouco tempo depois por conta de discordâncias politico/partidárias, e hoje descobri que ele está em seu segundo casamento. Espero que ele tenha aprendido, e que ela esteja feliz.

Imagem: Essa é uma das nossa primeiras fotos. Talvez a primeira. É uma das que eu mais gosto. Talvez a que eu mais goste.

Anúncios

A demora

Ultimamente tenho escrito muito, porém tem me faltado coragem para publicar.

E todos esses textos que eu escrevo, salvo, e não publico, são textos um tanto quanto ácidos. Explico.

Nesses últimos dias, meses, anos, tempos, as opiniões viraram ferramentas de agressão.

Sempre houve divergência de opiniões, porém raramente em anos passados alguém ousaria agredir, verbal e até fisicamente, quem fosse contrário à sua opinião.
E é isso que temos visto.

Em meus textos eu tenho sido muito incisivo em minhas opiniões, então, para não magoar ninguém e principalmente não me aborrecer com quem possa vir “armado” defender um ponto de vista contrário, eu optei simplesmente por não publica tais textos.

Sei que isso não faz jus à essência do blog, que é a de divulgar nossa opinião, mostrar pelo que temos passado, mas “tudo o que temos passado” acaba contribuindo para essa minha “acidez” ao escrever.

Talvez pela convivência, pela cumplicidade, ou até mesmo para não me magoar, a Michelle lê meus textos e diz concordar com o que eu escrevi, coisa que ela também faz quando comento que não vou publicar.

Textos sobre dor, sobre angustia, sobre criação de filhos, muitos são os temas, e em todos, eu não consigo deixar de ser enfático em defender minha opinião.

Bom, esse não é o tema dessa postagem (ainda bem), mas eu precisava começar escrevendo em uma espécie de “satisfação”, de “prestação de contas” pela minha ausência, a quem acompanha e lê esse blog.

E já que estou falando com você que lê esse blog, em algum momento você já deve ter lido sobre a espera. A longa espera. Muitos dos que estão nos acompanhando ficam aflitos com essa espera, tanto que dia desses uma pessoa muito querida disse que não vai mais falar em espera, ela vai falar em demora.

A ansiedade de nos ver com nossos filhos tem-se feito presente para muitos de nossos amigos, mas para nós isso está beirando o insuportável.

Nós confiamos em Deus, e sabemos que Ele já separou nossos filhos, em algum lugar. Sempre dizemos isso pois realmente confiamos. E é isso que nos tem amparado até aqui. Isso tem sido mais do que uma crença, tem se tornando um mantra. Algo que repetimos para nós mesmos, meio que para reafirmar, e para que tenhamos sempre essa certeza.

Mas chega um momento que o lado humano grita, berra, chora, quer sair correndo, quer jugar tudo para o alto, mandar tudo às favas.

A vara da infância aqui de Campinas tem organizado alguns encontros, até agora foram dois, um deles no início de junho, e outro no início de julho.

Esses encontros são abertos a todos, porém são mais voltados aos já habilitados. Todos na mesma “vibe”, todos com a mesma angustia: quando o telefone vai tocar.

Sabemos que a qualquer momento isso pode acontecer, mas QUANDO é que o MEU telefone irá tocar?

Essa incerteza é o que mais nos afeta.

Enviamos para um conhecido várias cópias do nosso processo, para que ele distribua em comarcas nas quais ele tem certa facilidade de acesso. E nada. Nada aconteceu.

Frequentamos grupos de apoio, que muito pouco tem nos ajudado. E assim seguimos. Continuamos à espera, dizendo para nós mesmos que os nossos filhos já estão separados, e que logo estarão conosco.

É isso que ainda nos mantém.

P.S.: muitos de nossos amigos nos indicam como uma referência para seus conhecidos, isso nos faz muito gratos, pois é uma forma de ajudar a quem também está nesse mesmo caminho, seguindo com passos muito semelhantes.

Não há imunidade

Muitos de nós não conseguimos não sorrir ao ver filhote de gato, ou cachorro. Outros ainda não resistem a um filhote de ave qualquer.

Muitos também não conseguem segurar a felicidade ao ver criança aprendendo a andar.

Eu sou desses que não consegue ver um cachorrinho, um filhote de ave, ou uma criança sem abrir um imenso sorriso, mesmo quando alguém pisou no meu dedão, quando minha cabeça está prestes a explodir pela enxaqueca, ou ainda quando o mau humor pegou por uma negociação perdida. Não resisto mesmo, já nem tento mais disfarçar.

Hoje pela manhã estava voltando de uma viagem de negócios, vindo de Navegantes-SC para Campinas.

Navegantes é o aeroporto mais próximo do parque do Beto Carreiro, e por isso, tanto na segunda-feira ao desembarcar, quanto hoje enquanto aguardava o meu embarque, estava rodeado por crianças. Pequenas, “médias”, grandes. Gordinhas e magrinhas. Meninas e meninos. Lourinhos, moreninhas, cabelos longos, outros cacheados, outros com um topete de deixar o Sr. Presley morto (ops) de inveja.

E entre os que corriam, e os que choravam no carrinho, havia uma bebê que não tinha mais que 1 ano e pouco, aprendendo à andar.

Acompanhada dos avós e dos pais, ela ora engatinhava, ora dava alguns passos agarrada nas mãos de um dos avós, mas do jeito dela explorava todas as áreas do embarque do aeroporto.

Num dado momento ela, até então agarrada nas calças da avó, se lançou em uma caminhada solo. Seis, talvez, oito ou dez passos. Andou sozinha.

Os pais vibraram, o avô quase teve um infarto, e avó gritou. A pequena se assustou e caiu, acariciando o chão com a bundinha acolchoada pelas fraldas.

Eu fiquei me imaginando como um dos coadjuvantes daquela cena, e ao meu lado estava um casal, que olhava sério, de forma sisuda, quase que tentando ignorar o que acontecia, e ao lado deles duas senhoras.

A pequena continuou buscando a independência, e todos ao redor continuaram sorrindo com os passinhos apressados, e com os carinhos dados ao chão. Todos, menos aquele casal.

Os pais saíram para trocar a fraldinha da pequena, os avós acompanharam, e as senhoras foram comer um cachorro quente. Continuamos sentados, ela, com os olhos cheios de água, ele com um visível nó na garganta lançou o braço para afaga-la, e eu, vendo aquilo e pensando em tudo o que acabara de acontecer.

Não há imunidade a uma pequena, de jaqueta rosa, calça de zebra e All Star cano longo aprendendo a andar. Nem para mim, nem para o casal que por algum motivo sofreu muito ao ver aquela cena.

E a pequena? Ela continuou dando suas dezenas de passos, alheia a tudo o que se passava ao redor.

Dicotomia

Certa vez ouvi que todo assunto sempre terá 3 lados, o da parte A, o da parte B e a verdade. Outra máxima a respeito das opiniões cita o fato de que todo mundo que conceitua algo, tem alguma, ou muita dificuldade em entender o outro lado. Mas o que temos visto muito ultimamente é a necessidade de A ou B defender, inflamadamente sua opinião, seja a respeito de futebol, política e até se churrasco é melhor do que sushi.

O assunto de hoje não é sobre adoção. Não, eu não vou falar sobre política, futebol e nem sobre churrasco versus sushi, e não, eu não mudei o foco do blog, mas como esse é um espaço para que possa externar meus pensamentos, eu te peço para ler, pelo menos mais alguns parágrafos.

Essa semana algumas matérias passaram pela minha timeline em uma rede social, mas duas delas me chamaram muita atenção.
– Mãe que lava as narinas da filha, ainda bebê, com soro fisiológico.
– Escola em que os pais podem deixar os filhos por um período estendido, e que cuida de todos os aspectos referentes, tanto ao convívio nesse espaço (incluindo os cuidados com o uniforme dos pequenos), até venda de papinhas para o final de semana.

Assunto 1: Tive a oportunidade de ler a opinião de alguns pediatras, otorrinos, e clínicos a respeito do tal vídeo em que a mãe, se utilizando de uma seringa cheia de soro fisiológico, em um movimento rápido limpa as narinas da pequena, que ao que parece, nem se importa muito.

Esses especialistas não são unanimes a respeito do fato. Muitos disseram não ser necessário. Outros disseram não ver problemas. E vários disseram que, tal manobra pode ser feita, com alguns cuidados.

Porém, eu nenhum momento eu vi algum deles proibindo, ou justificando que tal fato não deve ser feito sob o risco de dano físico aos pequenos.

Agora, o que não faltou foi “especialista” postando que “onde já se viu uma mãe fazer aquilo!”, “olha o risco que ela colocou a filha”, “que absurdo, imagina de ela afoga a menina”, “pior é que ela divulga isso, aí todo mundo faz, e mata os filhos”, e por aí foi.

Assunto 2: Com a proposta de que, como os pais tem pouco tempo por conta da rotina, existe uma escola que cuida de muita coisa “inútil” como lavar roupa, cozinhar, ou ir ao mercado, assim, todo minuto disponível pode ser revertido em tempo de qualidade para pais e filhos.

Imagine você, deixar sua criança logo pela manhã, e poder buscá-la até às 20h, não tendo que se preocupar em mandar lanche/marmita/mamadeira, ou até ter que chegar em casa e lavar o uniforme, sujos de guache ou terra.

Imagine ainda que, para que sua criança não estranhe temperos diferentes, e para que você não perca tempo no mercado ou até cozinhando, você pode comprar e levar para sua casa porções da mesma comida servida aos pequenos.

Bom, eu mesmo julguei, eu mesmo achei um absurdo quando li, e quando a Michelle comentou comigo, porém, comecei a pensar refletir sobre o tema.

Quando eu nasci, meus pais decidiram que minha mãe seria mãe em tempo integral. Não gosto de dizer que parou de trabalhar para cuidar de nós, pois sei que, em nenhuma empresa ela teria uma jornada tão dura quando à que ela foi exposta em casa.

Conheço pais que, seja por condição financeira, ou por escolha mesmo, colocaram os filhos, todos da minha geração, em creches, com babás, ou mesmo deixaram os pequenos sob os cuidados dos avós.

Nos dois casos, houve quem os criticou.

Meus pais foram criticados, pois minha mãe abriu mão de carreira, e acabou sem tempo para ela, os outros pais foram criticados, pois abriram mão de parte do tempo com os filhos.

Hoje, está muito em voga casais que abrem mão de uma renda extra, para que uma das partes fique com as crianças em tempo integral, muitos porém ainda não conseguem fazer isso exatamente pela necessidade deste recurso financeiro.

Ao lado disso, muitos pais não abrem mão de suas carreiras, mas em 100% dos casos que eu conheço, esses fazem isso também pensando em oferecer aos seus descendentes, condições de viajar, estudar, viver culturas diferentes, conquistar espaços, oportunidades.

Além desses pais, existem os que não querem dar doces e refrigerantes, e os julgamentos dos que acham um absurdo, pois as crianças em algum momento serão expostas a isso, ao lado dos que acham que é possível que as crianças sejam criadas sem desenvolver o paladar para tais sabores. Religião. Idiomas. Esportes. Tecnologia.

Obvio que, com algumas exceções, todos esses pais estão preocupados com o bem estar dos seus bebês, e em sua grande maioria, eles fazem escolhas, ponderando o outro lado, e sofrem por fazer escolhas pelas quais sabem que serão julgados. Mas o que eles muitas vezes não sabem, é que se escolhessem o outro lado, também seriam julgados.

Voltando a citar uma máxima, acho que vale àquela de que o macaco precisa cuidar do próprio rabo, e não do rabo dos outros.

Aniversário do blog – 1º aninho

Hoje completamos 1 ano de blog. Na verdade 1 ano desde o primeiro post, não necessariamente, 1 ano dos primeiros esboços, das primeiras palavras, linhas, textos.

Neste ano fomos surpreendidos por uma avalanche de gente torcendo por nós. Fomos abraçados por amigos, “físicos” e virtuais, além dos virtuais que, depois do blog se tornaram amigos físicos também. Enfim, gente amada, que se preocupa conosco, com nossa história.

E por falar em história, quando começamos a escrevê-la não imaginávamos o caminho que iríamos percorrer. Sabíamos que não seria fácil, mas tínhamos certeza que esse caminho seria (e será) recompensado com a chegada das crianças.

Outra coisa que nunca poderíamos imaginar é a quantidade de histórias que conheceríamos.

Pessoas queridas que, ainda crianças, foram adotadas. Pessoas um pouco mais distantes, mas que também tiveram suas experiências com a adoção, inclusive uma pessoa que conhece um casal que adotou 4 irmãos!

Vivemos momentos onde as pessoas não sabiam o que fazer para nos ajudar. Orações, ligações, e-mails, contatos. Pessoas a quem sempre seremos gratos, por uma mobilização que nunca pensamos merecer.

Encontramos afagos vindos de mãos que nunca imaginamos, e outro de pessoas que realmente esperávamos que nos afagasse, e isso nos ajudou muito.

Foi um ano intenso, delicioso. Mas nem todas as experiências foram felizes.

Encontramos pessoas que, explicitamente não aprovam o nosso caminho. Nos criticaram, deixando claro que não nos apoiam.

Descobrimos pessoas que, simplesmente optaram por ignorar, mesmo em meio a tantos posts, mesmo com as fotos do ensaio que ganhamos da Helô, mesmo com todas as notícias que compartilhamos. Tudo bem, às vezes essas pessoas não tem nada de bom para dizer, então é bom que continuem quietas.

Pessoas muito próximas a nós nos decepcionaram, grandemente,

Tivemos nosso dia mais triste, como compartilhei no domingo.

Mas voltando a falar desse blog, foram 55 postagens (56 com essa), 3385 visitantes que nos visitaram daqui do Brasil, dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Itália, Canadá, Paraguai, México, Austrália, Japão, Argentina, Holanda, Irlanda, Moçambique e Rússia que geraram 8025 visualizações.

Nosso plano é continuar com esse blog, como espaço para colocarmos para fora todos os nossos sentimentos, tanto os bons, quanto os ruins.

Esse espaço também serve para que possamos desmistificar o processo e o fato de que nossos filhos virão por um caminho que para muitos de vocês não é ou foi usual.

Mas além de tudo, será um espaço onde daqui a algum tempo, nossas crianças poderão saber como elas já são amadas, desde o dia em que nos decidimos por adota-las, como nossas crianças, nossos filhos!

Feliz dia das mães

Antes de entrar no assunto de hoje, feliz dia das mães. Que Deus multiplique seus anos na terra, e que Ele te conceda paciência para continuar cuidando dos seus filhos!

E é exatamente por causa da frase que dá título ao texto de hoje que hoje, sem dúvida alguma, foi o dia mais triste desde que recebemos o nosso diagnóstico a respeito da fertilidade. Desde então, altos e baixos nos cercaram, dias mais felizes, outros menos.

O dia das mães do ano passado foi complicado, mas a esperança e a ansiedade a respeito da nossa habilitação nos deram forças para enfrentar a falta dos nossos filhos num dia tão significativo.

Não sei se pelo meu temperamento, ou pela minha personalidade, ou ainda pelo fato de eu usar esse espaço para expor o que eu sinto, o dia dos pais não foi tão doloroso. Chorei, mas a lembrança de que, pela minha fé, logo minhas crianças estarão comigo, fez com que a tristeza começasse a se dissipar.

O dia das crianças foi sofrido, mas menos doloroso. As reuniões de família, com todas as crianças nos rodeando. Sair daquele abrigo, e deixar as crianças lá. Saber que a pequena que conheci naquele abrigo ainda está por lá, mesmo estando no nosso perfil, ela não está em condições adotáveis. Tudo isso foi triste. Mas hoje…

Dia intenso, começou cedo. Café da manhã, cuidados com Boina e Leleco, banho, roupa de domingo, e rua.

Chegamos à igreja poucos minutos antes de o culto começar. Louvor. Avisos. Mensagem: nascimento de Moisés, com foco em sua MÃE. A mensagem continuou passando por Isaías 54, falando de uma mulher que não tinha filhos.

Bem, chegamos ao momento de homenagens. Penso, honestamente em sair à francesa. Não faço. Me arrependo. Dói ver a mulher que amo, chorando por ainda não ter nossos filhos nos braços. Várias mães, de todas as idades, algumas já mãe em dobro com seus filhos e netos, e nós ainda aguardando os nossos. Triste. Amargo. Doído.

Choramos muito. Michelle muito mais do que eu. Ao final, quando nos preparávamos para sair, percebemos a chegada de uma das pessoas que nos tem dado suporte emocional e em oração. Ela que passou 21 anos tentando engravidar trouxe um presente para a Michelle, para que ela já se sinta mãe, e também como materialização, a profetização da chegada dos nosso filhos.

Esperamos que esse tenha sido realmente o dia mais triste também dos próximos tempos.

Esperamos que logo tenhamos nossos filhos conosco, correndo pela casa, puxando a Boina pelo rabicó, andando e aprontando artes entre os bancos da igreja, riscando as paredes.

Isso, com certeza nos fará esquecer o que passamos hoje. E assim poderemos (sim, eu também) nosso “feliz dia das mães”.

A menina do Malaui – o outro lado

Em julho de 2016, Titi se tornou conhecida por todos nós. Filha do casal de famosos Bruno e Giovanna, Chissomo, então com 2 anos, a charmosíssima menina malauiana conquistou a muitos, inclusive a Michelle e a mim.

Logo que ficamos sabendo, conversando com uma amiga surgiu a ideia de postar a respeito do assunto, e assim o fiz (você pode ser o texto clicando aqui).

Naquele texto divaguei sobre vários aspectos abordados pela mídia e por pessoas que postavam a respeito. Motivação, nacionalidade, exposição excessiva, idade da pequena, pagamento de propinas e velocidade do processo.

Essa semana Giovanna concedeu uma entrevista para uma revista famosa, e lá, inclusive em vídeo, ela conta um pouco da história de como ela e a filha se encontraram, falou sobre como Bruno reagiu à notícia de que seria pai. Com muitos detalhes ela trouxe à tona novos aspectos, inclusive sobre o tempo de processo. Giovanna, que não tinha na maternidade um alvo, estava no Malaui para uma série de reportagens em abrigos. Em um desses abrigos, ela e Chissomo se conheceram.

Aquele foi o primeiro encontro, o encontro de almas como Giovanna descreve, e a partir daquele momento, mais de 1 ano e meio se passaram, inclusive com a necessidade de residir no distante país por 3 meses. Os pais passaram por todas as fases do processo no Brasil, a única diferença é que eles não iriam entrar no CNA. Uma vez habilitados aqui, eles iniciaram o processo de habilitação internacional.

Outra especulação foi o fato de eles terem dinheiro e de como isso “poderia ter facilitado as coisas”. No meu primeiro texto expliquei que, em alguns países existe a necessidade de pagamento de taxas altíssimas, e só adota quem pode arcar com isso. No caso deles foram mais de 10 viagens para o outro lado do oceano, algumas dessas feitas de urgência, algo impossível para alguém sem recursos, porém algo que qualquer um de nós faria por nossos filhos se tivéssemos recursos para tal!

Já naquela época, e ainda mais hoje, fico pensando, muitos se preocuparam com o custo, com o tempo, mas muitos não se preocuparam com o fato de que eles se encontraram com uma parte deles que estava lá, a muitas horas de voo de distância. Eles encontraram alguém de quem eles, por muitas vezes, tiveram que se despedir, deixando-a a sorte das incertezas, comendo um mingau ralo, e com cuidados genéricos.

Muitos de nós, começando por mim, não suportaríamos ficar 2 dias, 2 horas, 2 minutos longe do filho, em outro país. Eles ficaram 18 meses.

Hoje, os admiro ainda mais.
Hoje estou ainda mais apaixonado por sua história deles, e também pela estilosa Titi!